Sexta passada, bem antes das oito da manhã, levei um dos tombos mais doloridos da minha vida. Tão dolorido quanto ridículo!
Tudo bem que, pra mim, meus tombos sempre são ridículos, mas este... fala sério!!!
Lilith, minha cadela, começou a latir desesperadamente, aos pulinhos, olhando para o alto de uma árvore que temos no meu quintal.
Eu pedi que ela se calasse, em vão. Eu ainda estava com sono e não desejava que ela acordasse o meu pai com os latidos. Meu pedido foi solenemente ignorado. Ela latia mais e mais. Era um desespero, parecia que tínhamos um invasor pronto para atacar (pastores alemães podem ser muito dramáticos quando querem impressionar!)
Larguei o computador e saí, de chinelos de quarto e pijama, para tentar ver o motivo de tanta reclamação canina.
Ela pulava freneticamente e olhava fixamente para o alto, resmungando e latindo, latindo, latindo.
Comecei a procurar o motivo, olhando também para o alto, para o meio dos galhos do cipreste inocente. Não via nada, apenas dois ninhos, nenhum passarinho à vista. Lilith de pêlos em pé! Sinal de ataque.
Enquanto eu contornava a árvore e me afastava um pouco, arrastando os pés e querendo ver melhor, o imprevisto aconteceu.
CATAPUM!!!!!!!!!!!
Agora me diz: quintal com declive e chão de paralelepípedos brutos e irregulares + pessoa sonada e curiosa a olhar pra cima, arrastando os chinelos sem olhar onde pisa, ia dar em quê?????
E num piscar de olhos, entre um latido e outro, lá estava eu, deitada sobre o meu pé torcido, deveras dolorido, tentando gritar baixinho de dor... Sim, porque quando a dor é muita, a gente quer gritar. Eu queria, mas não podia! Queria gritar todos os palavrões que conheço em alto e bom som. Esfregava delirantemente meu tornozelo e o peito do meu pé que pareciam arder de dor, tanta, tanta dor! Só que era cedo, e eu não queria assustar ninguém. Enquanto as lágrimas corriam pelo meu rosto contorcido, eu gemia em sons agudos, mas baixinhos...
Ai, ai, ai, ai, ai, ai, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, caceeeeeeeeeeeeeeeeeete!
Meu único consolo foi ver que a Lilith imediatamente parou de latir!.. Veio lamber minha bochecha molhada de choro, num gesto tão lindo, que me fez ter forças para levantar apoiada na parede.
Saco de gelo sobre o tornozelo, spray de metila, massagem... Alívio relativo e eu saí de casa para trabalhar acreditando que aquela dor iria passar logo.
Pois é... me enganei. Aumentou! Ô, como aumentou!!!!!
Quatro dias depois, já estou de saco cheio dessas muletas, dessa tala de gesso, de ter que ficar quieta.
Eu não sei ficar quieta. Eu não posso ficar assim, tão quieta. Sei que devo, mas...
Que remédio? Então, fiquemos quieta!















